quarta-feira, 8 de julho de 2009

O lunático da floresta


Mad Star abriu os olhos, mas não levantou. Permaneceu deitada, olhando para o céu já claro, procurando descobrir que horas eram, pela posição do sol. Os três discos incandescentes, conhecidos como sóis trigêmeos, já estavam a uma boa altura, em relação ao horizonte, o que indicava ser por volta de nove horas. Ziria dormia com a cabeça apoiada em seu ombro direito; ela era engraçada dormindo: a boca escancarada, deixava seus caninos brancos e salientes bem à mostra, enquanto que um ronco leve, igual ao ronronar de um gato, era ouvido. Delicadamente, para não acordar sua amante, Mad Star levantou sua cabeça o suficiente para retirar seu ombro de baixo e a pousou na lona enrolada que usava como travesseiro. Ao levantar, bocejou longamente, enquanto esticava e espreguiçava seu corpo alto e delgado. Não era vaidosa, mas orgulhava-se de ter uma aparência bela, como de uma elfa, porém a força e ferocidade para guerra, de um orc.
"O que terei para o desjejum?" pensou ela. Havia carne seca e pão de centeio no alforje, mas a jovem guerreira estava mais interessada em carne fresca, assada no braseiro. Apanhou a espada e o punhal, embainhou a primeira e prendeu o punhal ao cinturão; em seguida pegou seu arco e aljava de flechas, para então se embrenhar no bosque, à procura de uma boa caça. Esperava não precisar se afastar muito do acampamento, pois apesar de Ziria saber se defender, ela não era páreo para uma matilha de lobos, por exemplo. E Mad Star não queria estar longe de sua amada, caso ela precisasse de ajuda. De repente, algo chama sua atenção: uma pegada de porco selvagem, no barro, e era recente. "Porco assado no café da manhã... boa maneira de começar o dia." Mad Star seguiu as pegadas, procurando de deslocar o mais silenciosamente possível para não alertar sua presa. Grunhidos passaram a ser ouvidos, por detrás de um monte espesso de arbustos. O porco devia estar pastando, logo atrás. Os grunhidos subitamente, passaram a ter um tom de agonia, como se o porco estivesse gemendo de dor; "estaria ferido?". Mad Star se posicionou por detrás de um arbusto para ver onde o porco estava, e se era possível mirar dali. Ao avistar o animal, Mad Star tremeu, pois começou a presenciar uma cena, no mínimo, grotesca: um homem, completamente nu, de cabelos desgrenhados, barba idem e unhas compridas, que não deviam ser aparadas a meses, se é que algum dia foram aparadas. Ele estava imobilizando o suíno selvagem no chão, enquanto mordia sua garganta, sugando-lhe o sangue, ávido como um vampiro faminto. Mad Star sentiu um misto de confusão e náusea. Era a primeira vez que via algo assim. A princípio, pensou de fosse um dos arkanos, que são vampiros organizados em sociedade que vivem no pequeno reino de Arkan, uma terra sombria, além dos limites da floresta. Em seguida descartou a possibilidade: arkanos além de não caçarem desse jeito, não andam nus, pois são uma raça muito pomposa para tal atitude. Então, o que diabos era aquilo?
Como se pressentisse a presença de Mad Star, o homem selvagem virou-se na direção onde ela estava, largou o porco agonizante no chão, e soltou um grito medonho e insano, que a fez sentir um calafrio na espinha. A loucura relampejava em seus olhos. O homem selvagem largou sua presa de lado e saiu em disparada, na direção de Mad Star, com a boca babando o sangue ainda fresco do suíno silvestre. Mad Star rapidamente, pegou uma flecha na aljava, posicionou no arco, apontou e atirou. A flecha foi certeira, direto no coração do lunático. Ele já caiu no chão, sem vida. Desdenhando o homem caído, Mad Star andou até o porco selvagem, que ainda estava vivo, mas muito fraco por causa de todo o sangue que perdeu. Sacou seu punhal e terminou de degolá-lo para que morresse logo. Em seguida, pôs o animal sobre os ombros e voltou para o acampamento. onde Ziria já estava acordada, lhe esperando. O desjejum foi farto e animado, e Mad Star decidiu não contar sobre o lunático, pois julgou desnecessário. Logo depois, recolheram o acampamento e seguiram viagem para a Nohati, uma cidade pequena, localizada nos limites de Durvall, o reino governado pela tirana elfa-de-espinhos, Rainha Prata.

Akiron


Akiron, um continente esquecido pelo tempo e abandonado pelos deuses. Um mundo bárbaro, onde apenas os mais fortes e destemidos sobrevivem. Conheça o dia-após-dia de personagens singulares e ao mesmo tempo estranhos, fortes e corajosos e nem sempre piedosos ou caridosos. Você está convidado a juntar-se a nós e ler nossas crônicas, de feitos heróicos, a atitudes não tão heróicas. Seja mil vezes bem-vindo.